Sep 212012
 
Queer Lisboa 16

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O Queer Lisboa 16 arranca hoje com a exibição de “Weekend”, um dos filmes mais falados do último ano cinematográfico (“queer” ou não), e prolongar-se-á até ao próximo dia 29. O c7nema esteve à conversa com João Ferreira, codirector e um dos programadores do certame, que nos partilhou alguns pormenores da organização, falando sobre novidades deste ano, e pelo meio nos deu algumas sugestões de filmes a não perder ao longo da próxima semana.

João Ferreira destaca a grande diversidade na programação deste ano sem tema (ao contrário do ano passado, onde se conseguiu definir um tema), marcado por uma forte produção mundial de filmes de temática “queer”, e marcado também com o aumento do número do programadores do festival para 5, conseguindo assim que se fizesse uma seleção de entre “mais de 600, quase 700 filmes”.

O programador adianta que “é sempre complicado destacar filmes”, mas menciona fitas como “Joshua Tree, 1951: A Portrait of James Dean” (presente na secção Queer Art) – “uma abordagem como nunca ainda tinha visto à sexualidade de James Dean”, o documentário “Marina Abramović: the Artist is Present”, que “não sendo um filme ‘queer’”, acaba por sê-lo no “modo como ela trabalha a performance, e o corpo”, que “tem tudo a ver com este festival”. Na competição de longas-metragens de ficção, o destaque vai inevitavelmente para “Keep the Lights on”, vencedor do Teddy Bear este ano no Festival de Berlim, “um filme que recupera muito a estética do New Queer Cinema do início dos anos 90, uma certa liberdade na forma de filmar e de experimentar com a fotografia, um cuidado com o guião que esses filmes tinham, mas também uma margem de liberdade para os atores experimentarem sobre a história”.

“Joshua Tree, 1951: A Portrait of James Dean”

No que diz respeito a questões mais orçamentais, João Ferreira revela um segredo para minimizar os custos em tempos de crise: “começar a fazer programação muito cedo, começar a negociar os títulos muito cedo”, acrescentando que “conseguiram os filmes que queriam para o festival”. “Em termos de orçamento este ano, apesar da crise, nós não nos podemos queixar. Conseguimos um pouco mais que o ano passado. Ultrapassámos os 80 mil euros de financiamento direto, conseguimos apoios privados como nunca conseguimos antes. Agora, a verdade é que os custos aumentaram brutalmente, quer o preço que nos pedem pelos filmes, quer o custo do transporte destes, tudo isso aumentou. Nós temos agora um protocolo trianual com a Câmara [Municipal de Lisboa] e com o ICA, e vamos ter que trabalhar ao longo dos próximos três anos, com a gestão deste aumento de preços.” Um dos novos parceiros é o Metro de Lisboa, que ajudou na divulgação do evento, com a afixação dos posters oficiais nas suas carruagens. “Um apoio muito importante, porque de facto chega a todos os lisboetas”.

No que toca a projeções de números de espectadores, o programador mostra alguma humildade, salientando no entanto que “as pré-vendas estão a correr muito bem”, e que o objetivo é sempre fazer igual ao ano anterior, e “se crescerem, ótimo”.

E haverá alguma discriminação no facto das distribuidoras portuguesas não pegarem em muitos filmes premiados ou sucessos de edições passadas? Para João Ferreira, é tudo uma questão de mercado, mais do que qualquer preconceito que possa existir, afirmando que “o nosso mercado é muito pequeno”, e os filmes são comprados pelas distribuidoras em pacotes, excluindo desde logo muito do cinema “mais marginal”. “E obviamente que há um medo do risco”, acrescenta, salientando que a grande maioria do cinema queer é um cinema de linguagem independente, e que este, de uma forma geral, “tem uma distribuição cada vez menor”.

Depois de finalmente se conseguir legendagem total em português para todas as sessões da sala principal do São Jorge, o que falta fazer 16 anos depois? Que exigências dos espectadores mais assíduos faltarão cumprir? “Nós temos que ter sempre os pés assentes na terra. Nós somos um festival de média dimensão. Nós não temos o orçamento de um Indie [Lisboa] ou de um Doc [Lisboa]. E o que sinto muitas vezes é que os espectadores, e com razão (um espectador tem que exigir), querem o mesmo tipo de recursos que têm nesses festivais, o que é impossível para nós. Acho que conseguimos muito com o orçamento que temos. A legendagem foi fundamental – estávamos a lutar há vários anos. (…) Temos a Sala Manoel de Oliveira toda legendada, e há um dia na Sala 3 em que teremos legendagem eletrónica. Eu acho que o que falta vai surgindo de ano para ano das necessidades. Às vezes são coisas muito pequenas, muito práticas, mas que facilitam muito os espectadores, e que vamos tentando corrigir nos próximos anos”.

Pode consultar toda a programação e informação adicional no site do Queer Lisboa

Artigo retirado do site www.c7nema.net

http://www.c7nema.net/index.php?option=com_content&view=article&id=11107:comeca-hoje-o-queer-lisboa-16-&catid=:festivais

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